quinta-feira, 17 de março de 2011

Amigos;


Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
 Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim, não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
 Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso.
 Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
 Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
 Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
 Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
 Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
 Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
 Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos.
 Quero-os metade infância e outra metade velhice!
 Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou.
 Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.
Oscar Wilde

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