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sábado, 28 de julho de 2012

Algum dia, em algum lugar


Seis hora da manhã.
Não conseguia pregar os olhos. Algo inquietava dentro de mim. Mexia-me para todos os lados em cima de minha cama. Desisti de tentar dormir. Levantei-me, abri as cortinas. O céu estava claro. De repente, sorri. Um sorriso cheio de saudade. 
Imaginei como seria se ela estivesse ali comigo. Havíamos feito tantos planos... Como seria acordar e ver o sorriso dela? Ver seu cabelo bagunçado, sua cara de sono, sua roupa amassada? Poder abraçá-la, beijá-la a qualquer segundo... Perguntei a mim mesmo por que a vida tinha de ser tão injusta com aqueles que ousariam fazer tudo pelo amor. 
Por vezes questionei-me sobre esse tal sentimento. Dizem que ele nos faz bem, nos faz sentir como se o mundo não existisse, exceto nós mesmos e aqueles a quem amamos. Que o coração bate forte, as pernas tremem, as mãos esfriam. Dizem que nos faz sentir fortes, seguros. Lembro-me bem que no começo eu me sentia exatamente assim. Quando eu a via, meu coração disparava. Olhar o seu sorriso me fazia tremer... Era um anjo diante de mim. Tocar seus lábios, beijá-los... Sentir o seu cheiro, tocar o seu corpo. Tê-la para mim, só para mim. Até olhar para a sua face zangada me fazia feliz. Não sabia se isso era amor, mas com certeza não havia outra palavra que definisse.
A vida, então, resolveu tirá-la de mim. Nunca conseguirei descrever a dor que senti quando recebi a notícia de que nunca mais a veria novamente, nunca mais ficaríamos juntos, nunca poderíamos realizar os nossos planos, ou talvez sonhos, de casar, ter dois filhos, um cachorro. Nunca poderia cozinhar para ela. Nunca poderia dormir na mesma cama que ela. Nunca poderíamos viajar juntos num fim de ano qualquer. Nada. Ela havia ido para um lugar que as pessoas tanto dizem ser melhor. Melhor para quem? Demorou para eu conseguir me conformar em perdê-la de forma tão injusta. Aliás, talvez eu não esteja conformado. Lembro-me dela todos os segundos de minha vida. Sinto uma falta enorme...
Seis horas e quinze minutos. Respirei fundo e resolvi fazer qualquer coisa que tirasse um pouco daquela tristeza de dentro de mim. Algum dia, em algum lugar eu haveria de encontrá-la novamente e poderia amá-la. Algum dia.

domingo, 1 de julho de 2012

Uma luz no fim do túnel


Não sei por quê, mas acordei de uma forma diferente.
Vi a hora: 07:45 da manhã. Mas que coisa eu poderia fazer a essa hora em pleno sábado? Nem sequer me irritei. Apenas me levantei, espreguicei-me e sorri. Algo estava diferente em mim. Abri as cortinas, milhares de raios de luz iluminaram meu quarto. Mas que bagunça! Tinha de dar um jeito naquilo. Depois de algum tempo, comecei a fazer aquela faxina. O que estava acontecendo comigo? Do nada, levantei-me sorrindo, querendo arrumar as coisas... Isso é estranho, não? Depois de algum tempo, fui ao espelho. Senti uma vontade enorme de dar um jeito no meu cabelo, em mim mesma. Meus fios loiros estavam meio que revoltados. Fui ao banheiro, tomei um bom banho, coloquei a minha roupa mais bonita e saí por aí sem rumo. Olhei todas as pessoas, suas expressões sorridentes. Mesmo que não pudesse fazer parte daquilo, eu me sentia inserida ali naquelas risadas gostosas, naquele jeito que elas tinham de levar a vida. Encontrei um senhor no meio da rua. Resolvi me sentar e conversar com ele. Nós contamos as nossas histórias, compartilhamos boas risadas. No fim, ainda desejamo-nos uma ótima tarde. 
Voltei para casa, pus a minha comida no micro-ondas, sentei-me no sofá e pus um ótimo filme para assistir. Ao fim do dia, deitei-me na minha cama, com meus gordos travesseiros ao lado, e fiquei pensando em como a vida é boa. Não tinha namorado, não tinha amigos e minha família infelizmente estava longe. Apesar de tudo, conseguia viver bem, feliz e saudável. Não precisava sentir vazio nem dor. Para quê? Ser feliz consigo mesma importa mais do que qualquer coisa na vida. E que assim seja, não é? Adormeci e sonhei com coisas perfeitas... 
Ah, como viver é uma coisa mágica!

quarta-feira, 6 de junho de 2012


Acordei e vi que você estava do meu lado, mas ainda dormindo.
Fiquei o olhando durante algum tempo, não sei exatamente quanto... Uma lágrima caiu dos meus olhos, mas esta era de felicidade. A minha enorme felicidade pelo fato de você estar ali, dormindo como um anjo, um anjo lindo e meu. Só meu.
Passei a mão pelos seus cabelos e, felizmente ou infelizmente, você acordou. Eu fiquei toda envergonhada, como sempre, e você sorriu para mim. Perguntou o que eu estava fazendo, e eu tentei dizer qualquer outra coisa, mesmo sabendo que você não acreditaria. Odeio assumir que pareço uma boba perto de você. Você me puxou e me beijou, e passamos um bom tempo ali...
Pouco tempo depois eu caí na realidade e percebi que minha imaginação é fértil demais. Parei de sonhar acordada e fui fazer qualquer outra coisa que pudesse tirar esses pensamentos, ou você, da minha cabeça. Tentativas falhas, mas não deixam de ser tentativas. 


sábado, 5 de maio de 2012

O abraço de um sonho


Eu estava chorando.
Você veio e me abraçou forte, forte, tão forte.
Podia sentir o calor dos teus braços me envolvendo, a tua respiração perto do meu ouvido, o teu cheiro. Eu só conseguia chorar. E cada vez mais você me apertava, quase tentando retirar aquela dor de mim.
Soltei-me e te olhei nos olhos por algum segundo. Era perceptível a sua preocupação, as faíscas de tristeza. Sussurrei um "não se preocupa com isso, não é nada". Mas você respondeu "tudo o que se trata de você importa pra mim" e enxugou as lágrimas que havia na minha face. Fechei os meus olhos para sentir melhor aquilo, e senti os teus lábios encostarem nos meus. Fiquei tão nervosa, tão nervosa... Apenas permaneci ali.
Quando abri os olhos, senti cada momento se desfazer. Queria poder segurá-los, apertá-los e não deixar que eles se fossem nunca! Porém, eles estavam indo, indo, indo. Quando percebi, já estavam tão longe... 
Não podia ser só um sonho! Eu senti o teu abraço, o teu calor, o beijo. Como? Como pode ser sido um sonho? De repente, tudo era escuridão novamente. Perdi-lhe mais uma vez.


domingo, 1 de abril de 2012

Lembranças que se vão


Eu estava cansada de tudo, com um tédio enorme. A noite estava escura e eu, sozinha, como sempre. Comecei a vasculhar as coisas do meu quarto atrás de algo que pudesse me atrair, ou melhor, me distrair. Encontrei uma foto de um casal, do qual eu não sabia nada. A foto estava ali nas minhas coisas, mas eu não sabia nem sequer quem eram aqueles dois, que pareciam estar tão felizes.
De repente, uns pensamentos meio cruéis vieram à minha cabeça. Imaginei como seria se fossem eu e ele naquela foto. Era um pensamento que rondava a minha cabeça algumas vezes. E se tivesse dado certo, de verdade, como seria? As tardes assistindo a filmes, comendo pipoca, abraçados. Uma eternidade abraçados...
Eu balancei rapidamente a cabeça, na tentativa de fazer aqueles pensamentos irem embora de uma só vez. Odiava pensar nessas coisas, pensar nele. Às vezes até o esquecia, por míseros segundos, mas, com qualquer acontecimento, lá vinha ele flutuar em minha mente. 
Mas de uma coisa eu sabia: não era mais como antes. Agora eu tinha certeza disso. Eu o amava. Sim. Porém, agora, não penso como se ele pudesse estar aqui. Penso como algo que existiu para mim e que acabou e não poderá nunca nunca nunca mais acontecer. Talvez pensar assim não doa tanto, porque fico melhor assim.
Parei de procurar coisas. Não queria encontrar mais nada que pudesse trazer-lhe de volta para mim. Abri a janela e senti o vento bater em meu rosto. Fechei os meus olhos, respirei bem fundo e fiquei sentindo aquilo. O "cheirinho" do vento, o barulho das folhas se batendo, o barulho da noite. Depois abri os meus olhos e disse a mim mesma "Eu consigo viver sem ele. Eu quero isso. Eu não preciso dele." Repeti isso muitas vezes, até que eu mesma pudesse começar a acreditar nisso...

Thaianny Melo

domingo, 11 de março de 2012

Um dia


Está tudo tão frio aqui fora. Estou sentada num banco velho, com uma árvore ao meu lado. Sobre mim há uma Lua bem gigante e milhares de estrelas reluzentes. Queria eu pegá-las, todas, e tê-las só para mim. Não sei o que estou fazendo... Agora é assim: eu procuro algo para fazer, porque nem eu mesma sei por que estou vivendo.
Sempre quis entender como é que um amor acaba. Será que a gente acorda e diz "ah, eu não o amo mais" ou será que é com o tempo? E como a gente tem certeza de que ama alguém? Eu nunca encontrei a resposta da segunda pergunta. Acho que ninguém encontra. Quando eu disse "eu te amo", falei porque não aguentava mais ter aquilo dentro de mim. Essas três palavrinhas precisavam sair. E saíram. Hoje eu me arrependo tanto! Por que não as guardei só para mim? Poderia ter sido tão mais fácil.
Tanto tempo se passou, e o sentimento continua aqui. Eu acordo pensando em como eu queria acordar e receber aquele abraço e olhar aquele sorriso. Abraço até o travesseiro às vezes, imaginando aqueles braços me envolvendo. Às vezes lágrimas caem, às vezes não. Lembro-me de tantas coisas ditas. Até das que não foram ditas, mas vistas com o olhar. Mas que olhar? O sentimento foi unicamente meu. Já quis aceitar que acabou. Quero aceitar isso, de verdade. Mas por quê? Por que ainda está aqui? Por que o vento não arrasta isso para longe de mim?
Às vezes não encontro palavras para definir a dor que eu sinto. Consigo dar tantos sorrisos... poucos de verdade. Há sempre algo arranhando e incomodando aqui dentro do meu peito. Tem horas que incomoda tanto, que sinto vontade de arrancar isso de mim por mim mesma. É uma loucura, mas sinto isso. Quem dera um dia acordar e perceber que isso nunca existiu... Ah, meu Deus, por que não?
Decido voltar para dentro de casa e terminar esse meu diálogo interior com o meu travesseiro. É bom chorar até dormir... É como se você dormisse com a alma lavada.
Um dia isso sairá de mim... Um dia.

Thaianny Melo

sexta-feira, 2 de março de 2012

Brechas de Sol


A chuva batia na janela, cada vez mais forte. Resolvi abrir as cortinas e ficar olhando a chuva cair. De alguma forma, dava-me uma sensação de calmaria... Esta era uma das coisas de que eu não tinha mais posse. 
Observei cada gota cair e molhar o vidro. Não tinha nem percebido que havia passado tanto tempo que havia me sentando ali para olhar a chuva. Esta foi parando, e parando... e chegou uma hora em que o céu estava nublado. Fiquei um pouco triste. Estava sendo tão bom observá-la. Por que ela resolveu acabar? 
Então uma brechinha de Sol começou a aparecer no céu. Resolvi abrir a janela e um ventinho frio me causou arrepios. Nossa, há tempos eu não sentia o ar bater sobre a minha pele. Passei meses apenas dentro do quarto, sem me comunicar com ninguém. Talvez eu estivesse em depressão.
Será que com a dor acontece dessa forma? Será que ela é como a chuva? Começa, fica lá por um bom tempo... meses, anos. Mas será que, em alguma hora, as brechas da felicidade aparecem? Será que um dia o sofrimento irá embora e coisas boas acontecerão?
Comecei a me lembrar de coisas que deveriam não importar mais para mim. De repente, senti a frieza em meu coração chegar e gelei. Deitei-me na cama e adormeci. Sonhei que era feliz... Quem sabe um dia a chuva passasse e as brechas de Sol saíssem. Estava decidida a esperar por essa dia, por mais que ele demorasse. Um dia, eu haveria de ser feliz. Um dia!

Thaianny Melo

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012


Queria eu poder arrancar esta dor... Queria eu poder me lavar por dentro, respirar fundo e seguir em frente. 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Flores escuras


Eu estava sentada na cama, olhando para o nada. Meu olhar estava fixo no nada. Só que dentro da minha cabeça as coisas estavam girando, girando, girando... Estava tentando criar uma coragem absurda para fazer uma coisa. Uma coisa que temi por muito tempo, mas algo que a vida estava me obrigando a fazer. 
De repente, parei de olhar para o nada e vi o meu ursinho em cima da prateleira. Nossa, fazia tanto tempo que não olhava para ele. Aliás, fazia muito tempo que não olhava para nada. Essa era a minha vida: não se importar com exatamente nada. Quer dizer, não exatamente nada. Uma certa dor latejava dentro de mim, todos os dias. Sempre convivia com aquela ausência de felicidade, de sorrisos verdadeiros, de alegria.
Caminhei até o ursinho e o peguei. Lágrimas começaram a cair dos meus olhos. Eram lágrimas de saudade das minhas épocas de criança. Eu era outra pessoa. Completamente diferente disso que sou agora. Uma pessoa fria, sem vontade de viver e que só causa estragos na vida das pessoas. Eu não era assim... nem um pouco.
Estava decidido. Fui ao banheiro e abri a gaveta onde havia meus remédios. Eu vivia tomando remédios para dor de cabeça, essas coisas. Peguei os remédios, fui à cozinha buscar um copo d'água e voltei para o meu quarto. Peguei o ursinho novamente e me deitei na cama.
Comecei a adormecer... No meu sonho, eu criança de novo. Estava num campo cheio de flores e árvores. Era o meu lugar preferido. Eu estava correndo, com meus longos cabelos soltos... O vento batia bem forte no meu rosto. Avistei o meu ursinho e chamei-o para brincar comigo. Ele não podia ficar de fora! Estávamos tão alegres... Eu estava sorrindo muito. Quanta felicidade no meu coração! Há muito tempo eu (de agora) não sentia isso.
De repente, avistei uma luz. Havia uma mulher muito linda sorrindo para mim. Acho que ela queria brincar também. Caminhei até ela. Agora parecia que este momento feliz estava se dissipando... Eu não estava mais vendo meu ursinho. Nem as árvores, nem as flores. Mas onde estava tudo? A linda mulher me estendeu a mão, e eu a segurei. Estava me sentindo estranha. A felicidade estava indo embora... O que eu fiz? O que eu estava fazendo antes do sonho? Ah... os remédios. Quantos eu havia tomado? Será que eu tinha mesmo feito isso? E o meu ursinho? Mas a dor estava tão forte... Eu quis fazer, não quis? Então tudo se apagou e eu não soube de mais nada.

Thaianny Melo

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Tão, tão distante


É ruim estar sentindo mil coisas ao mesmo tempo. Meus pensamentos vêm, vão, voltam... Eu não sei mais o que fazer com tantos sentimentos, tanta dor, tanta angústia, tanto medo. Só queria poder fazer uma lavagem dentro de mim e tirar todas as coisas ruins. Deixar só o que restou de bom. Mas será mesmo que resta algo de bom em mim?
Às vezes, tipo agora, tudo o que eu mais desejo é sumir por um tempo. Sei lá, ficar distante de tudo e de todos. Um dia eu sonhei que ia embora. Ninguém sentia a minha falta, e isso meio que me confortava. A pior coisa do mundo é ver alguém sofrer por causa da gente.Queria ir embora pra um lugar distante, onde ninguém pudesse me ver ou me ouvir. Onde eu não tivesse contato com nenhum ser humano.
Parece que tudo na minha vida é uma confusão. No momento em que estou mais forte, decidida a seguir um caminho, decida a criar a minha própria história, algo acontece e acaba tudo. Toda a minha força. Parece que todo o caminho que eu percorri para chegar aonde estou é deixado pra trás. Eu fico sem saber o que fazer. Aliás, eu sei o que fazer, mas sempre aquela dor está ali, sempre. 
Não sei como terminar esse texto, mais uma vez. E, mais uma vez, vou terminá-lo assim como comecei. 
É ruim estar sentindo mil coisas ao mesmo tempo.

Thaianny Melo

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Noite gelada


Tudo estava frio naquela noite. Eu estava sentada na minha cama, com os meus fones de ouvido, naquele meu mundo. Sim, aquele era o meu mundo. Eu escutava músicas e me desligava da realidade por alguns minutos. Costumava passar grande parte do dia daquela forma. Nos minutos restantes, eu comia ou dormia. Não havia amigos, família ou namorado. Minha família e meus amigos sempre tentaram fingir que se importavam comigo. Talvez alguns deles se importassem, talvez não... "Importar-se" era algo que não fazia mais parte das minhas prioridades.
Caminhei até a janela. Tudo escuro. Sempre gostei da localização da minha casa. No meio do nada, com árvores em volta e corujas e morcegos rondando-a durante a noite. Eu podia até ouvir, de dentro do meu quarto, o barulho das folhas batendo umas nas outras. Olhei para o céu na tentativa de encontrar algumas estrelas brilhando. O céu não era tão visível, devido à presença das árvores, mas ainda sim sobrava um "pedacinho" dele. Também não havia estrelas. O céu estava preto.
Então eu olhei o meu quarto. Tão simples. Uma cama, uma mesa, um diário (no qual eu estava escrevendo, mas não terminei), uma cômoda, um espelho grande e só. Apesar de simples, é nele onde eu passo a maior parte dos meus dias. Eu não saio de casa, só às vezes, quando algumas amigas insistem. Porém, nesse dia simplesmente não houve nada. Noite fria, céu escuro, sem amigos. Até a minha família havia saído de casa. Se bem que a presença deles nunca fez tanta diferença. Eles mal notam a minha existência. Dizem sempre que "eu fico no meu mundinho". E quer saber? Prefiro mesmo. Prefiro o frio, prefiro o escuro, prefiro a solidão. Desde que ele se foi, já não há calor, luz e a presença de coisas boas na minha vida. Quem é ele?
Ele foi aquele que me ensinou a sentir tudo. Antes de ser esta garota problemática, fria e calada, eu era uma garota cheia de vida. Esbanjava sorrisos por todos os cantos. As outras meninas? Umas tinham até inveja de mim, por eu ser tão feliz, por ter amigos, por as pessoas gostarem de mim... Mas nunca me importei com elas. Eu tinha as minhas amigas verdadeiras, nas quais eu confiava até a morte. Não deixei de confiar nelas, mas eu mudei tanto, que já não sinto aquela mesma empolgação e vontade de contar segredos que eu sentia  antes. Meninos... nunca tinha me importado com eles também. Apesar de que sempre sonhava com o tal "príncipe encantado". Ah, mas os poucos com os quais eu queria ter algo sempre me magoavam. 
Até que um um dia ele apareceu. E eu entendi aquilo de "virar o mundo de cabeça pra baixo". No começo, não. Mas com o tempo eu fui gostando cada vez mais dele. Ele entendia tudo sobre mim. Ou parecia entender. E eu amava falar as coisas pra ele. Nunca fui de estar falando as minhas coisas a alguém do sexo masculino (nem mesmo meu pai), mas com ele era diferente. Aliás, qualquer coisa que se tratasse dele era diferente pra mim. Não quero contar muitos detalhes sobre como nos conhecemos e como era a sua aparência, porque ainda machuca muito lembrar. Só de estar falando, machuca
Já faz tanto tempo... e ainda dói da mesma forma, ou pior. Ou talvez não doa tanto assim e eu esteja falando da boca pra fora, o que não é muito provável. O que eu senti por e com ele jamais será esquecido. O seu abraço, a sua voz, o jeito que ele me olhava, o sorriso, as palavras... nada irá embora. Tudo foi real... pra mim. Foi isso que sempre me perguntei: como pode ter sido a coisa mais intensa do mundo, se só eu senti? Eu amei por nós dois. Eu lutei por nós dois. Eu tentei por nós dois. Eu penso que só eu existi. Quando eu comecei a falar dele aqui, eu disse "se foi". Quando eu digo isso, quero dizer que ele morreu. Não de verdade, ainda bem. Mas, para mim, ele morreu. Nunca o conheci de verdade. Aquele que ele aparentava ser foi o garoto que eu amei muito. O que ele é de verdade, eu não sei.
Foi isso que eu nunca consegui entender: se eu já sei que ele se foi, então por que não paro de pensar nele? Por que não o esqueço de vez? Quando eu obterei respostas?
De repente, saí do meu momento "flash-back" e sentei-me de novo na cama. Antes disso, peguei meu diário que estava em cima da mesa e continuei a escrever os meus rabiscos. Era isso que eu fazia desde o momento em que comecei a mudar. Escrevia textos sobre a vida de outras garotas. Às vezes eu as fazia loiras, ruivas, morenas. Elas moravam em casas, prédios. NY, Paris... Todas eram diferentes de mim, tinham vidas felizes. Vidas que eu queria ter, mas nunca tive... Quem sabe um dia eu acorde e perceba que sou uma dessas garotas sortudas que estão presentes no meu diário. 
Depois que escrevi no diário, ouvi passos e vozes. Fingi estar dormindo para que não tivesse de ouvir minha mãe perguntar como eu estava. Passadas algumas horas, eu adormeci de verdade e sonhei com coisas boas. No outro dia, quando acordasse, seria a mesma rotina. Até que, um dia, minha vida resolvesse ganhar sentido novamente.

Thaianny Melo

sábado, 24 de dezembro de 2011


Ela aparentava ser uma menina forte, decidida, pronta para encarar qualquer obstáculo que a vida lhe oferecesse. Mas, na verdade, dentro dela havia pensamentos tão bagunçados, ela tinha muito medo de como as coisas poderiam correr e, principalmente, chorava todas as noites. Aliás, não só noites. Bastava uma palavra para deixá-la triste. Um dia, sua vida tomou um rumo muito inesperado. Ela tentou levar, mas chegou um dia em que não havia mais jeito e ela resolveu dar adeus a esse mundo. Mas por quê? Ela tinha aguentado tanto, havia tanta fé... Por que ela resolveu fazer isso? A dor a consumiu. Esta é a resposta.

Thaianny Melo

domingo, 27 de novembro de 2011


Lá estava ela mais uma vez sentada, com o rosto em cima dos joelhos, e afogando-se em suas próprias lágrimas. Já não estava mais suportando guardar toda aquela dor para si. Precisava tirá-la, e a única forma que encontrou foi esta. Como podia? Poucas horas antes ela estava sorrindo, aparentando tanta felicidade... Como podia estar com olhos manchados de maquiagem, tristes e cheios de lágrimas? 
A verdade é que há tempos era esta a sua rotina: saía, fingia ser a pessoa mais feliz do mundo, chegava em casa e mostrava a si quem realmente era. Uma garota triste, que sobrevivia com uma dor dentro de seu peito. Uma dor que ninguém sabia que existia, porque a garota triste jamais falaria. Não, ela não podia. Afinal, quem a entenderia? A garota triste preferia permanecer em um silêncio profundo. 
Depois de tanto chorar, ela ergueu-se, enxugou as lágrimas, fechou os olhos, respirou fundo e pensou consigo mesma: "Calma, menina. Calma. Tudo isso vai mudar. Você vai ser a pessoa mais feliz do mundo. Você vai sorrir, de verdade. Você nunca mais sentirá dor, nunca." Repetiu muitas vezes, durante muito tempo, até que, um dia, a sua triste realidade mudasse.

Thaianny Melo

sexta-feira, 25 de novembro de 2011



Ela: Eu estou te pedindo, por favor, vai embora. Eu não quero, eu não aguento mais. Eu preciso que você vá de uma só vez, sem deixar vestígios, nem lembranças, nem nada.
Ele: É isso o que você quer?
Ela: Não. O que eu quero, você não pode me dar.
Ele: O que você quer? 
Ela: Que você me ame. 
Ele: Mas eu te amo.
Ela: Não, não ama. Você faz de tudo pra me machucar, você gosta disso.
Ele: Eu erro. Você também. 
Ela: Eu erro?
Ele: Sim. Você está me mandando ir embora porque está com medo de encarar isso de frente.
Ela: Isso o quê?
Ele: O que eu sinto por você.
Ela: Você é um egoísta, isso sim. Eu não sinto medo. Você também não sente nada por mim. Por favor, vai embora.
Ele: Eu não posso.
Ela: Por que não? Isso não faz diferença pra você.
Ele: Eu não quero te deixar.
Ela: Mas eu preciso que você me deixe. Pra sempre.
Ele: Eu te amo. E eu não vou sair de perto de você, porque quero cuidar de você. 
Ela: Por que você faz isso?

(Ele a puxa e a beija)

Ela: O que foi isso?
Ele: Um beijo?
Ela: Eu não te beijei.
Ele: Fica calada, por favor.

(Ele a abraça forte)

Ela: Eu amo você, idiota.

Thaianny Melo

sexta-feira, 4 de novembro de 2011


O que é ser forte? Será mesmo que eu sou forte? Às vezes eu acho que sim. Sou muito forte. Conheço pessoas que não aguentariam passar por um terço do que eu passo, e com um sorriso no rosto. Mas de que adianta só fingir? É, fingir. Eu tenho o dom de atuar muito bem. Não é porque eu quero. Estou apenas tentando levar a minha vida adiante. Não tenho mais nada a oferecer. Quando mais eu tento ignorar os meus problemas, mais eles mostram a mim que estão presentes e que irão ficar aqui por um bom tempo. 
A verdade é que a dor é a minha companheira. Queria muito, muito mesmo que ela fosse embora. Já tentei, fiz de tudo para ignorar o meu coração, quando ele grita, sangra, quebra. 
Às vezes eu me admiro por aguentar tantas coisas. Mas, meu Deus, será que já não chegou a minha hora de ser feliz? Olho as pessoas em volta e as vejo tão de bem com a vida. Mesmo que tenham problemas, ela não vivem na escuridão, como eu vivo. E não, não é drama. É a verdade. A minha triste e cruel verdade.
Repito as mesmas palavras há um longo tempo e nada muda. 
Só resta esperar. Não perderei a minha fé. Deus me ajudará!

Thaianny Melo

terça-feira, 1 de novembro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011


Eu não me sinto mais viva. Sinto como se meu corpo estivesse aqui, mas a minha alma não. Eu me sinto vazia, perdida. Gostaria de saber se ainda devo continuar caminhando. Será que não é preciso acabar com isso de vez?

Thaianny Melo

sexta-feira, 21 de outubro de 2011


A hora final está cada vez mais perto. Eu já não sei se fico feliz ou triste. Não sei quais foram nem quais serão os planos de Deus para mim. Queria muito conseguir entender por que me sinto mal... Mas não consigo. É torturante. É ruim ter que fingir. Ou mesmo estar feliz e, lá no fundo, sentir dor. Aquela dor chata, mas que eu já estou tão acostumada. Afinal, somos companheiras há muito tempo. As paredes do meu quarto, o meu travesseiro e a minha cama também são meus companheiros. Deito-me na minha cama e derramo todas as lágrimas numa tentativa de fazer a dor passar. Choro até que durmo. Ao acordar, a sensação de abandono, de perda, de vazio, de queda se instala sobre mim. Então aí eu percebo que a dor não passou. 
É difícil, sabe? Por isso que eu guardo-a só para mim. Para que compartilhar com alguém? Ninguém, ninguém nesse mundo sabe o quanto dói viver. Eu sei. Sempre tentei pensar: "ah, e aquelas pessoas que não têm comida, teto...?" Tudo bem, eu sei que isso é pior que qualquer coisa. E tento pôr na minha cabeça, juro que tento. Porém, e a minha dor? Será que ela também já não é demais? Para mim é.
Eu peço forças a Deus. Forças para suportar tudo, forças para não deixar de ser o pouco que ainda restou de mim. Tenho tanto medo de não conseguir, tanto medo.
Queria tanto acordar e não ser quem eu sou. Sério, qualquer coisa que pudesse mudar isso. Se tivesse, eu juro que faria. Porque não aguento mais.
Eu quero meu lugar de paz, eu quero sorrisos, eu quero alegria. Eu quero viver em vez de apenas existir.

Thaianny Melo

quinta-feira, 20 de outubro de 2011


Essa vontade de ir para um lugar longe de tudo e de todos, onde ninguém possa me ouvir, não passa. Eu prefiro o silêncio. Eu amo o silêncio.

Thaianny Melo

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Minhas doces lembranças...


Hoje estou com meus 66 anos de idade. Ao meu lado, minha neta pediu para contar-lhe uma história, um romance. Mesmo sem ela saber, resolvi contar o meu. No fundo, acho que ela sabia. Apesar de ter apenas 7 anos, ela era uma garotinha bastante esperta. 
Antes de conhecer a mulher da minha vida, eu era um homem normal. Bem, eu saía com muitas. E não me importava com nenhuma delas. Eu sempre fui um homem, digamos, "desejado" por algumas mulheres, talvez várias. Gostava disso. Mas ela foi diferente. Ela tinha algo que não era comum em nenhuma outra. Talvez fosse o sorriso, o olhar, os cabelos, o jeito. Não sei. Não me apaixonei por ela assim que a vi. Achei-a atraente, claro, mas, como eu disse, eu era um homem que não estava nem aí para essas coisas de amor.
Ela era uma pessoa tão boa, tão cheia de vida, tão cheia de sorrisos. Eu sabia de tudo isso, e mesmo assim a decepcionei. E decepcionei feio. Antes disso, tivemos uma linda história juntos.
Talvez eu gostasse dela naquela época, só não queria admitir para mim mesmo. Eu gostava de olhar os seus olhos, gostava das suas histórias, gostava do jeito como ela sorria, gostava das crises de ciúmes que ela sentia... Ela fazia uma carinha de raiva quando estava com ciúmes, e nunca admitia. Adorava envolvê-la em meus braços, era como se eu estivesse protegendo-a de tudo e de todos. Ela era minha. Gostava de cheirar seus cabelos castanhos, tão macios. Gostava de morder a sua bochecha. Gostava de beijar seus lábios quentes, doces. Odiava quando alguém chegava perto dela, e isso muitos gostavam de fazer, afinal, ela era linda, mas era minha. Apesar de tudo isso, eu a magoei. Eu menti para ela e a perdi. 
Seguimos nossas vidas separados. Depois do dia que terminamos, não soube mais nada de sua vida. Ela deve ter encontrado alguém que desse o valor que ela realmente merecia e que eu não dei. Quanto a mim, me casei, tive 2 filhos e 3 netos. Contudo, nunca amei minha mulher. Não por ela, claro. Porém, eu tive o meu amor, sim.   Percebi muito tempo depois, mas o tive.
Minha neta aproximou-se de mim e enxugou uma lágrima que havia caído. Eu sorri para ela e a abracei forte. Ela olhou para mim e disse: "eu sei que não é a vovó" e saiu correndo. 
Vivo de lembranças... Se pudesse voltar no tempo, eu mudaria muitas coisas. Mas ninguém pode. Não há como mudar o passado. Eu ainda a amo tanto, tanto... E vou amá-la até o dia em que meus olhos se fecharem de vez. Rezo para que ela esteja bem, esteja feliz. Às vezes sinto como se estivéssemos conectados um ao outro, como se, de alguma forma, eu pudesse senti-la perto de mim... Eu a amo. 

Thaianny Melo