sábado, 11 de fevereiro de 2012

Flores escuras


Eu estava sentada na cama, olhando para o nada. Meu olhar estava fixo no nada. Só que dentro da minha cabeça as coisas estavam girando, girando, girando... Estava tentando criar uma coragem absurda para fazer uma coisa. Uma coisa que temi por muito tempo, mas algo que a vida estava me obrigando a fazer. 
De repente, parei de olhar para o nada e vi o meu ursinho em cima da prateleira. Nossa, fazia tanto tempo que não olhava para ele. Aliás, fazia muito tempo que não olhava para nada. Essa era a minha vida: não se importar com exatamente nada. Quer dizer, não exatamente nada. Uma certa dor latejava dentro de mim, todos os dias. Sempre convivia com aquela ausência de felicidade, de sorrisos verdadeiros, de alegria.
Caminhei até o ursinho e o peguei. Lágrimas começaram a cair dos meus olhos. Eram lágrimas de saudade das minhas épocas de criança. Eu era outra pessoa. Completamente diferente disso que sou agora. Uma pessoa fria, sem vontade de viver e que só causa estragos na vida das pessoas. Eu não era assim... nem um pouco.
Estava decidido. Fui ao banheiro e abri a gaveta onde havia meus remédios. Eu vivia tomando remédios para dor de cabeça, essas coisas. Peguei os remédios, fui à cozinha buscar um copo d'água e voltei para o meu quarto. Peguei o ursinho novamente e me deitei na cama.
Comecei a adormecer... No meu sonho, eu criança de novo. Estava num campo cheio de flores e árvores. Era o meu lugar preferido. Eu estava correndo, com meus longos cabelos soltos... O vento batia bem forte no meu rosto. Avistei o meu ursinho e chamei-o para brincar comigo. Ele não podia ficar de fora! Estávamos tão alegres... Eu estava sorrindo muito. Quanta felicidade no meu coração! Há muito tempo eu (de agora) não sentia isso.
De repente, avistei uma luz. Havia uma mulher muito linda sorrindo para mim. Acho que ela queria brincar também. Caminhei até ela. Agora parecia que este momento feliz estava se dissipando... Eu não estava mais vendo meu ursinho. Nem as árvores, nem as flores. Mas onde estava tudo? A linda mulher me estendeu a mão, e eu a segurei. Estava me sentindo estranha. A felicidade estava indo embora... O que eu fiz? O que eu estava fazendo antes do sonho? Ah... os remédios. Quantos eu havia tomado? Será que eu tinha mesmo feito isso? E o meu ursinho? Mas a dor estava tão forte... Eu quis fazer, não quis? Então tudo se apagou e eu não soube de mais nada.

Thaianny Melo

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