segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Minhas doces lembranças...


Hoje estou com meus 66 anos de idade. Ao meu lado, minha neta pediu para contar-lhe uma história, um romance. Mesmo sem ela saber, resolvi contar o meu. No fundo, acho que ela sabia. Apesar de ter apenas 7 anos, ela era uma garotinha bastante esperta. 
Antes de conhecer a mulher da minha vida, eu era um homem normal. Bem, eu saía com muitas. E não me importava com nenhuma delas. Eu sempre fui um homem, digamos, "desejado" por algumas mulheres, talvez várias. Gostava disso. Mas ela foi diferente. Ela tinha algo que não era comum em nenhuma outra. Talvez fosse o sorriso, o olhar, os cabelos, o jeito. Não sei. Não me apaixonei por ela assim que a vi. Achei-a atraente, claro, mas, como eu disse, eu era um homem que não estava nem aí para essas coisas de amor.
Ela era uma pessoa tão boa, tão cheia de vida, tão cheia de sorrisos. Eu sabia de tudo isso, e mesmo assim a decepcionei. E decepcionei feio. Antes disso, tivemos uma linda história juntos.
Talvez eu gostasse dela naquela época, só não queria admitir para mim mesmo. Eu gostava de olhar os seus olhos, gostava das suas histórias, gostava do jeito como ela sorria, gostava das crises de ciúmes que ela sentia... Ela fazia uma carinha de raiva quando estava com ciúmes, e nunca admitia. Adorava envolvê-la em meus braços, era como se eu estivesse protegendo-a de tudo e de todos. Ela era minha. Gostava de cheirar seus cabelos castanhos, tão macios. Gostava de morder a sua bochecha. Gostava de beijar seus lábios quentes, doces. Odiava quando alguém chegava perto dela, e isso muitos gostavam de fazer, afinal, ela era linda, mas era minha. Apesar de tudo isso, eu a magoei. Eu menti para ela e a perdi. 
Seguimos nossas vidas separados. Depois do dia que terminamos, não soube mais nada de sua vida. Ela deve ter encontrado alguém que desse o valor que ela realmente merecia e que eu não dei. Quanto a mim, me casei, tive 2 filhos e 3 netos. Contudo, nunca amei minha mulher. Não por ela, claro. Porém, eu tive o meu amor, sim.   Percebi muito tempo depois, mas o tive.
Minha neta aproximou-se de mim e enxugou uma lágrima que havia caído. Eu sorri para ela e a abracei forte. Ela olhou para mim e disse: "eu sei que não é a vovó" e saiu correndo. 
Vivo de lembranças... Se pudesse voltar no tempo, eu mudaria muitas coisas. Mas ninguém pode. Não há como mudar o passado. Eu ainda a amo tanto, tanto... E vou amá-la até o dia em que meus olhos se fecharem de vez. Rezo para que ela esteja bem, esteja feliz. Às vezes sinto como se estivéssemos conectados um ao outro, como se, de alguma forma, eu pudesse senti-la perto de mim... Eu a amo. 

Thaianny Melo

2 comentários:

  1. Que tão lindo, tão emocionante.
    Adoooorei.
    Impossível não soltar altos suspiros.


    Beijo *-*

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  2. Owwwwn, que bom que gostou, amor *-* Beijos!

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