sábado, 28 de julho de 2012

Algum dia, em algum lugar


Seis hora da manhã.
Não conseguia pregar os olhos. Algo inquietava dentro de mim. Mexia-me para todos os lados em cima de minha cama. Desisti de tentar dormir. Levantei-me, abri as cortinas. O céu estava claro. De repente, sorri. Um sorriso cheio de saudade. 
Imaginei como seria se ela estivesse ali comigo. Havíamos feito tantos planos... Como seria acordar e ver o sorriso dela? Ver seu cabelo bagunçado, sua cara de sono, sua roupa amassada? Poder abraçá-la, beijá-la a qualquer segundo... Perguntei a mim mesmo por que a vida tinha de ser tão injusta com aqueles que ousariam fazer tudo pelo amor. 
Por vezes questionei-me sobre esse tal sentimento. Dizem que ele nos faz bem, nos faz sentir como se o mundo não existisse, exceto nós mesmos e aqueles a quem amamos. Que o coração bate forte, as pernas tremem, as mãos esfriam. Dizem que nos faz sentir fortes, seguros. Lembro-me bem que no começo eu me sentia exatamente assim. Quando eu a via, meu coração disparava. Olhar o seu sorriso me fazia tremer... Era um anjo diante de mim. Tocar seus lábios, beijá-los... Sentir o seu cheiro, tocar o seu corpo. Tê-la para mim, só para mim. Até olhar para a sua face zangada me fazia feliz. Não sabia se isso era amor, mas com certeza não havia outra palavra que definisse.
A vida, então, resolveu tirá-la de mim. Nunca conseguirei descrever a dor que senti quando recebi a notícia de que nunca mais a veria novamente, nunca mais ficaríamos juntos, nunca poderíamos realizar os nossos planos, ou talvez sonhos, de casar, ter dois filhos, um cachorro. Nunca poderia cozinhar para ela. Nunca poderia dormir na mesma cama que ela. Nunca poderíamos viajar juntos num fim de ano qualquer. Nada. Ela havia ido para um lugar que as pessoas tanto dizem ser melhor. Melhor para quem? Demorou para eu conseguir me conformar em perdê-la de forma tão injusta. Aliás, talvez eu não esteja conformado. Lembro-me dela todos os segundos de minha vida. Sinto uma falta enorme...
Seis horas e quinze minutos. Respirei fundo e resolvi fazer qualquer coisa que tirasse um pouco daquela tristeza de dentro de mim. Algum dia, em algum lugar eu haveria de encontrá-la novamente e poderia amá-la. Algum dia.

Um comentário:

  1. Nossa me emocionei com esse texto, é triste, até deu um aperto no coração. Mas as histórias tristes também precisam ser contadas, e essa foi muito bem contada.

    www.eraoutravez.blogspot.com

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